Classificações e sistemas de relato

TI-RADS: cinco categorias, uma responsabilidade

A classificação que padroniza a tireoide começa na disciplina de quem descreve o nódulo.

9 de abril de 2026·3 min de leitura
Classificações e sistemas de relato

TI-RADS: cinco categorias, uma responsabilidade

Subtítulo: A classificação que padroniza a tireoide começa na disciplina de quem descreve o nódulo.


A ultrassonografia de tireoide é um dos exames que mais geram ansiedade — tanto no paciente quanto no médico. Nódulos tireoidianos são extremamente prevalentes: estima-se que até 68% da população adulta tenha nódulos detectáveis ao ultrassom. Diante de tamanha prevalência, a grande pergunta não é se há nódulo, mas o que fazer com ele.

O ACR TI-RADS (Thyroid Imaging Reporting and Data System), publicado em 2017, trouxe uma resposta objetiva. O sistema atribui pontos a cinco características ultrassonográficas — composição, ecogenicidade, forma, margens e focos ecogênicos — e a soma desses pontos determina a categoria TI-RADS (de TR1 a TR5) e a conduta recomendada (nenhuma ação, seguimento ou punção).

A beleza do sistema está na sua simplicidade estruturada. Mas a aplicação prática exige atenção a detalhes que frequentemente escapam.

O primeiro ponto de falha é a descrição incompleta. Se o laudo menciona "nódulo hipoecogênico" sem especificar composição (sólido, misto, cístico), margens (lisas, irregulares, lobuladas) e presença ou ausência de focos ecogênicos, a pontuação TI-RADS não pode ser calculada com segurança. A classificação perde a rastreabilidade.

O segundo ponto de falha é a discordância entre descrição e categoria. Um nódulo descrito como "sólido, hipoecogênico, mais alto que largo, com microcalcificações" que recebe TR3 revela inconsistência — pelos critérios do ACR, esse perfil pontua como TR5. Esse tipo de erro compromete a conduta e pode atrasar diagnósticos.

O terceiro ponto é o tamanho. O ACR TI-RADS define limiares de tamanho para indicação de punção aspirativa conforme a categoria. Um TR3 de 1,0 cm não tem indicação de punção. Um TR5 de 1,0 cm tem. A medida correta do nódulo e o cruzamento com a categoria são etapas obrigatórias.

Usar o TI-RADS corretamente não é decorar uma tabela. É construir uma descrição que naturalmente conduz à pontuação certa, à categoria certa e à conduta certa. A qualidade do laudo é o alicerce.


Referências:

  • Tessler FN, et al. ACR Thyroid Imaging, Reporting and Data System (TI-RADS): White Paper of the ACR TI-RADS Committee. Journal of the American College of Radiology. 2017;14(5):587-595.
  • Middleton WD, et al. Multiinstitutional Analysis of Thyroid Nodule Risk Stratification Using the American College of Radiology Thyroid Imaging Reporting and Data System. AJR Am J Roentgenol. 2017;208(6):1331-1341.
  • Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR). Recomendações do Departamento de Ultrassonografia para avaliação de nódulos tireoidianos, 2021.

Mapa Mental — ACR TI-RADS: Uso Correto

  • 5 características avaliadas
    • Composição
    • Ecogenicidade
    • Forma
    • Margens
    • Focos ecogênicos
  • Pontuação → Categoria (TR1 a TR5) → Conduta
  • Pontos de falha
    • Descrição incompleta → pontuação incalculável
    • Discordância descrição vs. categoria
    • Ignorar limiar de tamanho para punção
  • Princípio-chave
    • Descrição completa → pontuação correta → conduta segura

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