TI-RADS: cinco categorias, uma responsabilidade
Subtítulo: A classificação que padroniza a tireoide começa na disciplina de quem descreve o nódulo.
A ultrassonografia de tireoide é um dos exames que mais geram ansiedade — tanto no paciente quanto no médico. Nódulos tireoidianos são extremamente prevalentes: estima-se que até 68% da população adulta tenha nódulos detectáveis ao ultrassom. Diante de tamanha prevalência, a grande pergunta não é se há nódulo, mas o que fazer com ele.
O ACR TI-RADS (Thyroid Imaging Reporting and Data System), publicado em 2017, trouxe uma resposta objetiva. O sistema atribui pontos a cinco características ultrassonográficas — composição, ecogenicidade, forma, margens e focos ecogênicos — e a soma desses pontos determina a categoria TI-RADS (de TR1 a TR5) e a conduta recomendada (nenhuma ação, seguimento ou punção).
A beleza do sistema está na sua simplicidade estruturada. Mas a aplicação prática exige atenção a detalhes que frequentemente escapam.
O primeiro ponto de falha é a descrição incompleta. Se o laudo menciona "nódulo hipoecogênico" sem especificar composição (sólido, misto, cístico), margens (lisas, irregulares, lobuladas) e presença ou ausência de focos ecogênicos, a pontuação TI-RADS não pode ser calculada com segurança. A classificação perde a rastreabilidade.
O segundo ponto de falha é a discordância entre descrição e categoria. Um nódulo descrito como "sólido, hipoecogênico, mais alto que largo, com microcalcificações" que recebe TR3 revela inconsistência — pelos critérios do ACR, esse perfil pontua como TR5. Esse tipo de erro compromete a conduta e pode atrasar diagnósticos.
O terceiro ponto é o tamanho. O ACR TI-RADS define limiares de tamanho para indicação de punção aspirativa conforme a categoria. Um TR3 de 1,0 cm não tem indicação de punção. Um TR5 de 1,0 cm tem. A medida correta do nódulo e o cruzamento com a categoria são etapas obrigatórias.
Usar o TI-RADS corretamente não é decorar uma tabela. É construir uma descrição que naturalmente conduz à pontuação certa, à categoria certa e à conduta certa. A qualidade do laudo é o alicerce.
Referências:
- Tessler FN, et al. ACR Thyroid Imaging, Reporting and Data System (TI-RADS): White Paper of the ACR TI-RADS Committee. Journal of the American College of Radiology. 2017;14(5):587-595.
- Middleton WD, et al. Multiinstitutional Analysis of Thyroid Nodule Risk Stratification Using the American College of Radiology Thyroid Imaging Reporting and Data System. AJR Am J Roentgenol. 2017;208(6):1331-1341.
- Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR). Recomendações do Departamento de Ultrassonografia para avaliação de nódulos tireoidianos, 2021.
Mapa Mental — ACR TI-RADS: Uso Correto
- 5 características avaliadas
- Composição
- Ecogenicidade
- Forma
- Margens
- Focos ecogênicos
- Pontuação → Categoria (TR1 a TR5) → Conduta
- Pontos de falha
- Descrição incompleta → pontuação incalculável
- Discordância descrição vs. categoria
- Ignorar limiar de tamanho para punção
- Princípio-chave
- Descrição completa → pontuação correta → conduta segura